Eu cheguei aqui agora, eu seitudo já estava arrumado de um certo modoEu cheguei agora e você não está dispostoa bagunçar sua vida inteiraÀs vezes é bem difícil, eu sei
rever seus sonhos, mudar seus planos
Você insiste no caminho mesmo sabendo
que o fim está do lado oposto
E perde mais tempo pelo tempo que já perdeu
Eu cheguei agora, eu sei, eu estava de bobeira
Tudo já estava arrumado de um certo modo
mas não do modo certo, creia
Às vezes é bem difícil abandonar suas incertezas
Você pensa que navega
mas está à deriva
nesse mar de palavras mortas.
Sua intuição é uma bússola quebrada
e sua viagem não tem sentido.
Você não sente?
Não há lembranças, não há saudade,
não há sonho ou sequer
o desejo de chegar a um lugar.
As velas são inúteis
quando não ha vento.
O motor precisa de combustível.
Nada acontece sem um motivo.
Os efeitos necessitam de uma causa.
Eu não o escuto mais.
Estamos cada vez mais distantes.
Eu fiquei no porto.
Eu nunca parto porque faço parte
de alguma coisa onde você nunca coube.
Eu sempre soube...
mas me permiti o engano.
Troco todas as palavras pelo canto desses pássaros da aurora Esse céu desanoitecendo lentamente é toda a lembrança que desejoMorreria agora quando tudo é tão simples e beloComo as gotas de chuva penduradas nas folhas das árvoresSeu sono faz sentido e meus sonhos me mantém acordado
Atento sentinela das muralhas deste quarto
Se veio com o vento, o vento vai levarDeixe que se váCumprindo seu destino, segundo seu caminhoDeixe que se váEscorrendo pelos dedos, os cabelos da felicidade
Não tem como agarrar
Se passou por sua vida guarde o cheiro, a lembrança
E deixe que se vá
A saudade é coisa que fica, uma dor talvez...
Uma lágrima...
O resto é só um momento e se veio com o vento
Deixe que se vá
Palavras que eu esqueço sobre o criado mudo,
sem nenhuma encadernação especial.
Palavras que eu cuspo junto com a espuma
do creme dental.
Palavras que eu engulo
junto com o café amargo.
Palavras que eu solto
junto com a fumaça do cigarro.
E vc dizendo que odeia meu silêncio...
E eu pensando que vc não entende o que eu falo.
Foto: Anna Engvall
Às vezes tenho vontade de voltar pelo mesmo caminhoNão para rever os mortos, nem para reconhecer as pedrasMuito menos para tentar mudar o que já está feitoSe eu pudesse voltar pelo mesmo caminhoFaria para resgatar coisas que fui deixando por aí
Meus sonhos, minha inocência e minha vontade de ir em frente
Sabe essas coisas que a gente acaba perdendo
Mas sem as quais não somos absolutamente nada?
Então....
Se eu pudesse ir na contra-mão da própria vida
Eu o faria só para poder morrer sendo eu mesmo
Me reconhecer em minha própria lápide
Ah, se eu pudesse voltar pelo mesmo caminho....
Juntando os pedaços dos vasos que se quebraram
Mesmo que eles não se colem novamente
Eu deixaria tudo como está, não faria nada diferente
Mas pegaria de volta o que é meu de fato
Apenas!
Imagem: Escultura de Arek Szwed.
Noite de ausências confirmadas
Uma mosca pousada sobre o pão
Sirvo duas taças de vinho
E a mosca me olha confusa
Esperava um tapa, não um brinde
Vencemos a repugnância mútua
conversamos em silêncio
conservando uma distância segura
Eu desejando ter asas e ela
desejando ter mãos